terça-feira, 22 de maio de 2018

Nunca apresentei um namorado à minha família

"Então e os namorados?" Ahhh, aquela pergunta típica dos tios que só vemos umas duas vezes no ano (normalmente, no Natal e na Páscoa) e que têm ZERO interesse na nossa vida. Só são curiosos. Cuscos, vá. 20 anos e nunca apresentaste namorado à família? Ai filha, deves ter qualquer coisa de errado…

Tenho 20 anos e nunca apresentei um namorado à minha família. Tanto eu como o meu irmão sempre dissemos que nunca iríamos casar, pelos mais variados motivos. Ele não cumpriu a sua palavra (o traidor), eu tenciono cumprir. Acho que os meus pais já perderam a esperança em vir a conhecer um namorado meu e, coitados, não os posso culpar. A minha mãe já sabe que, daqui, é muito difícil ter netos. A pressão está toda do lado do meu irmão.

Sei que sou diferente. O meu sonho nunca foi casar ou ter filhos. Nem sequer quero isso para a minha vida. No entanto, em 2018, isto ainda não é aceitável. Quando digo a alguém que não quero ter filhos nem tenho interesse algum em casar vejo sempre o olhar reprovador da pessoa. Se eu me importo com isso? Claro que não. Mas questiono-me se, no século XXI, isto já não deveria ter deixado de ser um problema. Ninguém tem nada a ver com as nossas escolhas de vida.

Desde pequenas que a sociedade traça um plano para as nossas vidas, muito graças aos filmes da Disney. Devemos comportar-nos como umas princesas, sempre muito graciosas e serenas, e esperar por um lindo príncipe encantado que irá chegar no seu cavalo branco. E depois ter filhos e "viver felizes para sempre". Claro que eu, em pequena, gostava (adorava) os filmes da Disney e ainda gosto. Mas há muito, muito tempo que não acredito em príncipes encantados ou no felizes para sempre.

Às vezes pergunto-me se a Disney e os filmes românticos não criam demasiadas expectativas na vida. Aquilo não é nada assim, mas nós só percebemos isso quando somos mais "crescidas". Amor à primeira vista? Relações sem problemas? Pessoas perfeitas? Nada disto existe. E acho que nós, raparigas, é que sofremos mais com isso. Criamos demasiado expectativas em nós, nos rapazes, no nosso futuro. Casar com um vestido branco gigante em que a noiva mal se consegue mexer? Não, obrigada. Não há nada errado em ser solteira, em não querer constituir família, em não querer ter uma casa. O meu sonho é viajar pelo mundo. Algum dia poderia conciliar isso com uma família? Não. É suposto deixar o meu sonho só porque a sociedade acha que eu devo ser mãe e ter uma família e uma casa aparentemente perfeitas? Também não.

Se a minha opinião vai ser diferente quando tiver 30 anos? Pode ser… mas a minha vidinha teria que dar muitas voltas.

Como é óbvio, não tenho nada contra com as pessoas que dizem que o seu sonho é casar ou ser mãe. Simplesmente isso não é para mim. Mas, também, verdade seja dita, quem é que não queria um Troy Bolton na sua vida? (Sim, a minha crush de adolescência foi o Zac Efron. E se calhar ainda é, apesar de eu já não ser adolescente. Se calhar.)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Leituras Desassossegadas #14

E Agora, Zé-Ninguém? – Hans Fallada

«Alemanha, finais dos anos 20. Apesar da grave crise económica que afecta a vida de muita gente, Johannes e Emma, carinhosamente chamada Cordeirinha pelo seu caloroso marido, levam a vida com confiança e entusiasmo. Acreditam que apoiando-se no amor podem superar todas as dificuldades, mas rapidamente se apercebem de que a sorte não está do seu lado e que a realidade é muito mais dura de enfrentar do que tinham imaginado. A chegada do seu tão desejado filho vai trazer-lhes muitas alegrias, mas também juntará novas dificuldades à vida do jovem casal.
Quando por fim Johannes Pinneberg se vê obrigado a engrossar as fileiras dos milhares de desempregados já existentes, é Cordeirinha, esta mulher amável, meiga e corajosa que – em lugar do seu marido, transformado num desesperado zé-ninguém – assume a dianteira e assegura a existência de toda a família.
A esperança, porém, nunca se perde, e o casal refugia-se no amor que o une e do qual se alimenta.»

Este é um romance especialmente dedicado à crise vivida no final dos anos 20/início da década de 30, depois da Primeira Guerra Mundial, e que afectou todos os países europeus, mas, especialmente, a Alemanha que teve de pagar indemnizações altíssimas aos Aliados no pós-guerra. É um romance entre guerras, que traduz magistralmente o que foi viver naquela altura, sobretudo em Berlim, uma das cidades mais afectadas pela Primeira Grande Guerra.

Este livro fez-me pensar na inevitabilidade da vida e no facto de depois de alguém se tornar num "zé-ninguém" é muito difícil voltar a sair desse lodo. Na década de 20 ainda mais do que nos dias de hoje, é um facto, já que os subsídios dados pelo Estado aos desempregados eram absolutamente ridículos e o nível de vida era consideravelmente inferior. 

É um livro bastante descritivo, o que resulta num retrato bastante fiel do que era ser uma pessoa humilde que teve a infelicidade de estar desempregada. Este foi o primeiro livro que li de Hans Fallada, mas adorei a sua escrita magistral, que consegue pôr-nos debaixo da pele do protagonista e transmitir-nos o seu medo, a sua revolta e as suas pequenas alegrias como se fossem nossas.

É muito difícil ficarmos indiferentes a uma história destas e, infelizmente, as situações retratadas no livro são ainda, nos dias de hoje, bastante familiares. A natureza humana não muda assim tanto: são os empregadores que abusam da situação de medo por parte dos empregados de ficarem desempregados, são os conhecidos que mudam de passeio quando encontram o "zé-ninguém", as reacções das pessoas às dificuldades, o amor que, apesar de não resolver tudo, pode ajudar a ultrapassar a situação de uma forma menos dolorosa. Aconselho!

"Como é que é possível rir, rir a sério e com vontade, num mundo como este, em que aqueles que dirigem a economia e cometeram milhares de erros são desculpados e os mais pequenos, que sempre deram o seu melhor, são aviltados e pisados?"

sexta-feira, 11 de maio de 2018

As 5 melhores séries originais da Netflix

Esta semana foi particularmente recheada de insónias. Numa dessas noites em que, por mais voltas que desse na cama, não conseguia adormecer, pus-me a pensar em séries (sim, é algo em que eu penso frequentemente). E veio-me à ideia que eu vejo muitas séries produzidas pela Netflix, tantas que até pus em causa se não seriam mais as séries da Netflix que via do que o resto produzido por outros canais. Fui averiguar e vejo/já vi 16 séries da Netflix (e ainda assim são mais as não-Netflix), e são 10 as séries produzidas pela Netflix que quero ver, mas que ainda não tive tempo oportunidade.

A Netflix é das melhores coisinhas que aconteceu ao mundo. Para além de ser um streaming de séries, e de podermos ver qualquer série a qualquer hora, sempre que nos apeteça, sem o horário fixo das televisões, os episódios saem todos de uma vez (binge watcher, here!) e as produções têm todas uma qualidade excelente.

Esta lista é feita por mim e, como tal, reflecte os meus gostos. Fiz uma lista de 5, para não ser tão denso, mas gostava aqui de referir duas menções honrosas: Daredevil e The Punisher. Optei por não escolher estas duas porque sei que séries de super-heróis não são do agrado de toda a gente. No entanto, se forem fãs da Marvel, e de super-heróis em geral, aconselho-vos a ver estas obras-de-arte. Esta lista não está por ordem, não me peçam para escolher uma série favorita da Netflix, que é como se pedissem a uma mãe para escolher entre os filhos. Não dá.

Eu já falei de 3 destas séries aqui no blogue, e, por isso, vou apenas dar-vos a sinopse e, se quiserem saber mais sobre cada uma, vou deixar-vos os links de cada publicação, com a minha opinião mais completa.

Stranger Things - "Quando um rapaz desaparece, uma pequena vila descobre um mistério relacionado com experiências secretas, assustadoras forças sobrenaturais e uma estranha rapariga." Tem 2 temporadas e estreou em 2016. Podem saber mais aqui.



Black Mirror - "Esta antologia de ficção científica explora um distorcido futuro próximo onde as maiores inovações tecnológicas da humanidade colidem com os seus instintos mais sombrios." Tem 4 temporadas e estreou em 2011.
Se bem se lembram, quando falei nas séries que quero ver este ano, Black Mirror estava na lista. Ainda vou ver se escrevo uma publicação só a falar da série, ou não, mas fiquem já saber que é uma série extraordinária, mas muito "pesada". Eu via-a "aos bocados", tal era a dureza de certos episódios.



Sense8 - "Grupos de pessoas ao redor do mundo que estão ligadas mentalmente e precisam encontrar uma maneira de sobreviver sendo caçados por aqueles que os vêem como uma ameaça para a ordem mundial". Estreou em 2015 e tem duas temporadas. Conforme já disse aqui, a série foi cancelada e ainda estamos à espera do episódio final de duas horas. 



Narcos - "A história verídica dos esforços dos Estados Unidos e Colômbia para combater o temido cartel de Medellín, uma das organizações criminosas mais ricas e impiedosas da história." Estreou em 2015 e tem 3 temporadas. Falei sobre a terceira temporada aqui.



House of Cards – Estreou em 2013, tem 5 temporadas, estreando a sexta este ano. HoC sofreu um pequeno abalo na minha consideração com todo o escândalo do Kevin Spacey. A série deve muito do seu sucesso à interpretação do actor, que é fenomenal. Por isso, estou bastante curiosa sobre a última temporada, já sem o Frank Underwood.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Leituras Desassossegadas #13

A Verdadeira Vida de Sebastian Knight – Vladimir Nabokov

«O primeiro romance escrito em inglês por Vladimir Nabokov – A Verdadeira Vida de Sebastian knight – foi iniciado em Paris, em 1938.
É a história de Sebastian Knight, um escritor famoso cuja vida está envolta em mistério.
Depois da morte de Knight, o seu meio-irmão decide investigar-lhe a vida, enfrentando o que é falso, distorcido e irrelevante. A busca revela-se tão intrigante como qualquer um dos livros do escritor – desconcertante e, afinal, recompensadora.
A narrativa fala-nos da inserção de um artista numa sociedade hostil ao espírito criativo. Mas A Verdadeira Vida de Sebastian Knight debruça-se também sobre o problema essencial da ambígua identidade humana: quem era afinal Sebastian Knight?»

Gostei imenso de ler este livro e recomendo!

 "Aprendi que a alma é apenas uma forma de ser, não um estado constante, e que qualquer alma pode ser nossa se a captarmos e seguirmos as suas ondulações. O além talvez seja a plena capacidade de viver conscientemente em qualquer alma que se escolha, em qualquer conjunto de almas, todas elas inconscientes do fardo permutável que carregam."

As Grandes Personagens da História – Canal de História

«Pensadores, revolucionários, políticos, cientistas ou artistas. Ao longo da História, houve homens e mulheres que se destacaram e ajudaram a criar o mundo em que hoje vivemos.
De Confúcio a Gorbachev, passando por Da Vinci ou Churchill, entre outros, este novo livro do Canal de História aborda mais de 30 séculos de civilização. Talento, sabedoria, triunfos e fracassos, paixões, luzes e sombras fazem parte da história destas personagens que construíram a nossa História.
Conhecer o passado ajuda-nos a compreender o presente. Saber quem foram estes homens e mulheres é especialmente interessante para analisar as suas semelhanças, independentemente das centenas de anos que os separam. A História faz-se dia a dia, e a cada momento há alguém com suficiente capacidade para mudar o mundo e a escrever.
As Grandes Personagens da História é um livro informativo e rigoroso, indispensável para todos os que se interessam pela nossa História.»

Não sei se eu é que tinha demasiado expectativas para este livro, se esperava mais dele, mas achei um bocadinho enganoso. Estava à espera de conhecer mais sobre o que cada uma destas personagens tinha trazido ou mudado no mundo, mas, basicamente, o que o livro faz é dar-nos um contexto da vida de cada um e, a partir daí, falar um pouco sobre as suas obras ou acções mais importantes. Há algumas pessoas que não foram mencionadas, como Freud, Mandela, Picasso e, especialmente, de mulheres - não falam de Marie Curie, Simone de Beauvoir, Frida Khalo. No entanto, recomendo caso queiram saber um pouco mais sobre pessoas como Newton, Aristóteles, Cleópatra, Marco Polo, Charles Darwin, entre outros. 



segunda-feira, 30 de abril de 2018

Avengers: Infinity War - Movie36

Fui hoje ao cinema ver Avengers: Infinity War e, Meu Deus do Céu, QUE FILME!! 

Como fã assumidíssima da Marvel e de super-heróis, este era o filme que eu mais esperava para ver este ano. Antes demais, este não é só um filme, não é só mais um filme - foram dez anos até chegar aqui, desde a estreia do primeiro Iron Man. Todos os caminhos, todos os filmes, levavam a este momento. E o momento finalmente chegou. O momento em que quase todas as personagens do MCU [Marvel Cinematic Universe] se juntam para combater o vilão mais forte de que há memória.

Não sei bem explicar-vos como é que a minha paixão por super-heróis, e, consequentemente, pela Marvel, surgiu. Ninguém da minha família é considerado geek, por isso, nunca tive referências a este mundo. Mas, um dia, quando devia ter uns 12 anos, estava a passar o Spider-Man, o primeiro, aquele ainda com o Tobey Maguire, na televisão e eu fiquei imediatamente apaixonada. Depois veio o primeiro Iron Man, depois o segundo, o terceiro, comecei a ver as séries - que também são excelentes (Agent Carter vai estar sempre no meu coração) - e quando dei por mim já sabia muita coisa sobre o Mundo Marvel. E já estava tão dentro deste mundo, e tão apaixonada por ele, que já não dava para voltar para trás.

Já aqui vos falei de algumas séries de super-heróis - Iron Fist e The Defenders -, mas, hoje, e como reflexão do mês de Abril para o Movie36, quero falar (ou escrever) sobre o mundo dos super-heróis cinematográficos e aquilo que eles representam.

Para mim, um super-herói é mais do que apenas a força física, aquele que é capaz de derrotar tudo e todos através do físico. Para mim, um super-herói é alguém como o Iron Man, ou melhor, como o Tony Stark. Muitas vezes, ou quase sempre, apelidado de egocêntrico, narcisista, convencido, na minha opinião, foi a personagem do MCU que mais evoluiu. É verdade, o Tony é convencido e acha-se um génio (e não o é?), mas nunca escondeu de ninguém os seus defeitos, Afinal, ele é, apenas e só, um ser-humano. Tem as suas falhas, tem muitas falhas, mas, como ninguém, assume que as tem e luta para defender a humanidade e tentar preservar o que ainda há de humano em nós. Por ser tão narcisista, ele faz o que quer, quando quer e não funciona sob regras ou ordens. No entanto, dá bastante valor à liberdade individual, à sua e à dos outros, e age sempre em conformidade com o bem maior. Como disse, para mim, é a personagem que mais evolui, e se forem ver agora o segundo Iron Man, Tony Stark é uma pessoa completamente diferente - para melhor, claro. Bem, já viram que eu podia escrever uma dissertação sobre ele. Adiante.

Os super-heróis cinematográficos são pessoas que lutam não só pela preservação da humanidade e da Terra tal como a conhecemos, mas também pelos seus princípios e crenças de que devemos combater o mal, não deixando que ele se entranhe na nossa pele, de tal maneira que ficaríamos já habituados a essa estranha forma de vida. Se pensarem nisso, o Iron Man, Capitão América, Spider-Man, a Viúva Negra, o Doctor Strange, e todos os outros, lutam para que o mal não triunfe, seja esse mal os nazis, e a Hydra, ou o super-vilão mais poderoso da história, Thanos. 

Este mundo de super-heróis já não é só para crianças - aliás, acho que, nos dias que correm, até interessam mais a adultos que às crianças. Os super-heróis vão passando de geração em geração, transmitindo valores de natureza moralista, como o auto-sacrifício, a inter-ajuda, a importância de nos dedicarmos a algo nobre e importante e que os valores morais são benéficos. A maioria dos super-heróis tem uma origem humana e humilde, o que nos permite sonhar com a possibilidade de nos tornarmos alguém extraordinário. Para além disso, não são seres perfeitos, todos tem as suas falhas, e mostram que não há nada de errado em falhar e em cometer erros - o Tony é perito em cometer erros e, nem por isso, é menos super-herói que os outros. 

Para concluir, mesmo que não sejam fãs de super-heróis, aconselho-vos imenso a ver este filme! É uma obra-de-arte que, sem dúvida, vale a pena ver. E que venha 2019 e a segunda parte de Avengers: Infinity War


*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

sábado, 28 de abril de 2018

Youth - Movie36

Depois de vos ter falado de Darkest Hour, hoje chegou a ver de Youth - "Fred e Mick, dois velhos amigos com quase 80 anos de idade, passam férias num luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em actividade. Juntos, passam as férias a recordar-se das suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será o seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música. Entretanto, muita coisa pode mudar." Estreou em 2015, realizado por Paolo Sorrentino e protagonizado por Michael Caine e Harvey Keitel.

Que filme, senhores, que filme! Duas horas mergulhadas em filosofias do envelhecimento, dia-a-dia de um hotel situado num sítio deslumbrante, humor e ironia subtis e actuações soberbas. A melancolia, a dicotomia envelhecimento/juventude, a morte são elementos constantes, levando-nos a pensar sobre estes temas, quase encarnando a pele das personagens.

A banda sonora e as paisagens são excelentes, as personagens são excêntricas e misteriosas e a velhice é retratada de uma forma filosófica e, simultaneamente, prática. Há vários tipos de personagem – um casal de idosos que janta sempre em silêncio e que parece rodeado de mágoa, um antigo atleta que agora está obeso, a Miss Universo, uma massagista silenciosa, uma prostituta deprimida, um miúdo canhoto, jovens aspirantes a cineastas e, principalmente, um actor – e todas elas são parte fundamental da história.

Este filme é como que um poema, que decorre lentamente e de uma beleza tal, que a única coisa que nós, enquanto espectadores, podemos fazer é aproveitar. Como já me queixei aqui quando falei de Lady Bird, o cinema actual é cada vez mais banal e quase que feroz, em oposição ao cinema lento, pausado, que retrata o simples quotidiano de uma forma que nos deixa maravilhados. Por isso, aplaudo sempre este tipo de filmes. Este é, simplesmente, deslumbrante. 


*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

quinta-feira, 26 de abril de 2018

As séries que ando a ver #2

Vocês sabem que eu gosto muito de ver séries, vejo muitas algumas, e vou-vos falando das que vejo aqui no blogue. Algumas merecem uma publicação só para elas, como foi o caso do fenómeno recente La Casa de Papel, outras são agregadas numa só publicação. Em Fevereiro, falei-vos das séries que andava a ver na altura (aqui) e, como entretanto já ando a ver outras, vou aqui falar-vos delas.

New Girl (ou Jesse e os Rapazes) conta a história de "Jess, uma excêntrica e estranha rapariga, na casa dos 20, que depois de uma complicada e hilariante separação com o namorado decide dividir casa com mais três rapazes solteiros, mudando assim a vida de cada um deles da forma mais inesperada." Esta série é uma série de comédia, a sétima temporada estreou agora e, se ainda não viram esta série, digo-vos que vale muito a pena! Com sete temporadas, vamos vendo a evolução das personagens e sentimo-nos, até, parte daquela família. Gosto muito desta série, mesmo! Para além disso, os episódios são de 20 minutos, ideais para aqueles dias em que temos pouco tempo para ver séries e queremos ver uma coisa rápida. 


Scandal – "Olivia Pope, a ex-consultora de comunicações da presidência, dedica a sua vida a proteger a imagem pública da elite da nação e a garantir que os seus segredos nunca venham à tona. Após deixar a Casa Branca, ela abre a sua própria empresa na esperança de iniciar um novo capítulo na sua vida, tanto profissional quanto pessoal. Entretanto, ela parece não conseguir cortar completamente os laços com seu passado..." Confesso que só comecei a ver esta série depois de saber que ia haver um crossover com How To Get Away With Murder (aqui), mas foi uma bela surpresa. Ainda não vi o episódio conjunto, mas acho que vai ser incrível! Pelo menos, juntar Annalise Keating e Olivia Pope só pode dar bom resultado. Não é das melhores séries do mundo, mas vale a pena.


Finalmente, temos uma série portuguesa aqui no blogue! Já acompanhei algumas séries portuguesas (recentes, Morangos com Açúcar não conta), mas nenhuma delas me entusiasmou tanto com 1986. "A segunda volta das eleições presidenciais decide-se na mais intensa e renhida das lutas do pós-25 de Abril: de um lado, Mário Soares; do outro, Freitas do Amaral. Ambos os candidatos investem tudo numa das mais delirantes e mediáticas campanhas eleitorais da História. O duelo contamina tudo: pais, filhos, professores, o seu dia a dia e até a clássica busca de todos pelo amor. No meio deste turbilhão, acompanhamos a mais inesperada história de Romeu e Julieta: Tiago, jovem tímido, filho de um comunista ferrenho que terá de engolir o sapo de votar Soares, apaixona-se por Marta, idealista candidata a astronauta, filha de um empresário de videoclubes que organiza festas para Freitas. Como irá Tiago conseguir levar a cabo o malabarismo de manter o seu amor por Marta sem desiludir o pai e como lidarão os pais de Marta com a paixão da filha por um filho de comunistas?" Dá as terças-feiras na RTP1, mas, se não quiserem seguir o horário da televisão, podem ver na RTP Play. Aconselho mesmo!  


Suits conta a história de "Mike Ross, um rapaz que abandonou a faculdade de Direito, mas, brilhante como é, consegue uma entrevista com o respeitado Harvey Specter, um dos melhores advogados de Manhattan. Quando percebe o talento nato e a memória fotográfica de Mike, Harvey contrata-o e, juntos, eles formam uma dupla imbatível. Mesmo sendo um génio, Mike ainda tem muito a aprender sobre o Direito. E mesmo sendo um advogado tão competente, Harvey irá aprender com sua nova dupla a ver seus clientes de outra maneira." Eu gosto tanto, mas tanto desta série! Apesar de parecer ser a típica série de televisão estadunidense, não se deixem levar pelos preconceitos. Tem personagens incríveis (especialmente, a Donna!), tem momentos de comédia, momentos de muita emoção. Está, actualmente, na sétima temporada e a futura princesa de Inglaterra (Meghan Markle) é (era) uma das personagens principais.


Nunca apresentei um namorado à minha família

"Então e os namorados?" Ahhh, aquela pergunta típica dos tios que só vemos umas duas vezes no ano (normalmente, no Natal e na Pás...